747 parte 2

Confesso que estou escrevendo com o coração apertado este capítulo. Como sempre falo, faz muito tempo, mas todas as vezes que tenho que voltar a escrever sobre essa história que virou livro, sofro muito. Fico com pena da Laila do livro, acho que ela era muito nova para ter enfrentado essa situação. Consigo separar a história e fazer da Laila um personagem, para poder me sentir melhor… eu tive que ir para o tratamento sozinha, enfrentar a pior parte que é o dia da internação, sem ninguém  ao meu lado, pois minha mãe não pode viajar junto para me acompanhar.  Eu era muito frágil e ao mesmo tempo forte para encarar aquela situação, posso crer também que uma força maior conduzia meus passos não permitindo que eu desistisse do tratamento.

Quando cheguei no rancho da paz já era noite, mas dava para perceber que eu estava bem no meio do mato. Depois de ser recebida pela monitora e ter ouvido um punhado de regras, agradeci o jantar oferecido pela estagiária que me recebia, fui até o banho e depois apaguei esquecendo aquele dia, mas antes escrevi em meu diário. “Hoje é o primeiro dia, do resto da minha vida”.

O Desafio Jovem de Brasília – DJB – é uma organização, que vem desde 1972  se dedicando à difícil tarefa de recuperar e ressocializar pessoas usuárias de drogas e álcool. Pioneira em Brasília e no Brasil, é uma comunidade terapêutica com características muito especiais, cujo segredo está na compreensão e atuação sistêmica nas áreas biológica, psicossocial e espiritual, baseando-se nos princípios ensinados na Palavra de Deus, e não em uma religião. O objetivo maior do DJB é o de oferecer ao usuário de drogas e seus familiares elementos básicos de uma reformulação de vida, a partir da mudança de mentalidade de cada um dos envolvidos.

Eramos uma turma de mais de 4o alunas eu era a mais nova. Cada uma  tinha uma história de  terror para contar. Algumas além das droga, chegavam grávidas, outras tinham deixado para trás seus filhos. Moças vindas de todas as partes do Brasil, era uma mistura de sotaque  que chegava a ser bonito. Eu achava lindo ver as gauchas falando, era divertido ouvir as baianas e as cariocas. Eu amazonense sempre puxando o S. Mas nem tudo era divertido, a van que me trouxe veio com mais 9 moças, das quais oito foram embora  durante a semana. Elas desistiam ao se deparar com o tratamento, mas eu sabia que não tinha escolha, se voltasse iria para a Febem, portanto era melhor permanecer.

5 Respostas para “747 parte 2”

  1. Laila Maffra disse:

    Sim, temos através da nosa associação “Viver Livre”
    contato lailamaffra@hotmail.com

  2. wellington disse:

    estamos com um adoleceste aqui em casa que precisa muito de tratamento e agora?
    vcs tem vagas ai

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