Psicose

Oi gente,

Estou aqui no escritório escrevendo esta resenha, são 5 de Agosto. Esse capítulo é chocante, talvez seja o mais difícil de descrever. Saber que tudo que aconteceu foi real chega a  me dar medo novamente. Não sei sinceramente como consegui passar por tudo isso. Só mesmo Deus para me proteger de tantos fatos tenebrosos. Naquela época eu caminhava em direção a morte… Dentro do meu quarto drogada, eu tive experiências “Ilusórias”, causadas pelo efeito da droga que eu usava. Depois da tentativa de suícidio, tive a certeza de que estava ficando louca. Chorei muito ao me olhar no espelho, contudo me achava bonita e gostava da minha aparência, principalmente do meu cabelo. Mas naquela manhã depois de ter chegado do hospital, ao olhar-me novamente no espelho, ele disse a verdade que eu queria esconder de mim mesma. Era como se ele se transformasse em gente, e apontasse o dedo para mim, com intrepidez dizendo:

– Você está um lixo! Não tem mais beleza, veja seu rosto envelhecido, magro, olhos fundos sem brilho. Você está no fundo do poço, veja onde você veio parar!

Meus olhos perdidos no espaço como que paralizados diante do espelho, buscavam ver o reflexo de uma Laila que existiu e que agora tinha se transformado em um zumbi. O espelho não podia mentir, ele tinha toda a verdade do mundo, espelho nunca mente. Eu estava um lixo! De repente minha visão embassou e não pude mais ver. No chão do quarto pingava água salgada, eram minhas lágrimas… todas as vezes que eu ficava de frente com minha dor e encarava minha realidade, eu me drogava ainda mais. E foi aí que corri para o meu esconderijo secreto para buscar mais uma dose. Para poder me recompor e encarar de perto o confronto que acabara de ter com o espelho. Como na história da Branca de Neve, o espelho também tinha que ser verdadeiro em dizer que não existia adolescente mais infeliz do que eu.

 

Ele mostrava a revolta que morava dentro do meu ser. Meus olhos no espelho refletiam os grilhões que aprisionavam minha alma de adolescente. Eu havia cortado o cabelo bem curtinho, para dar uma aparencia diferente, mas foi inútil. Minha aparencia exterior não ocultava a devastidão do meu mundo queimado.

Era difícil de seguir com esta verdade, sendo assim tinha que “Viajar” e esquecer tudo. Abri a gaveta e ingeri uma dose. Logo estava me sentindo bela, forte e falante, foi aí que tive o primeiro surto psicótico. Eu vi Gustavo em minha frente. Ele estava lindo, vestia uma camisa branca com listras bem suaves, seu perfume invadia meu quarto.

Ele me olhava com olhar apaixonado, eu corri para abraçá-lo, mas ele sumia todas as vezes que eu tentava tocar nele. Logo apareceu no canto da porta, antes que ele sumisse novamente, me apressei e disse:

– Nossa quanto tempo! Que bom que você apareceu novamente e veio ficar comigo.

– Vamos venha comigo! – Chamou ele – Eu vim te buscar, vamos viajar, sou o seu guia.

– Mas como vou viajar? Eu não comprei passagem! – Eu disse.

– Nós fomos sorteados entre centenas de alunos para fazer parte desta excursão, eu sei que você adora aventura! – Respondeu ele.

– É verdade, eu amo! – Respondi e imediatamente perguntei:
– Para onde vamos?

Bom se você leu, você sabe que “viagem” foi essa. E o lindo colar quase me levou a morte.

Os gritos de minha irmã esmurrando a porta foram as últimas vozes que ouvi. Quando acordei no hospital, ainda tinha a sensação de que algo ainda sufocava meu pescoço. Era como se eu tivesse entrado num túnel escuro e sem ar, a morte pedia minha vida a qualquer custo. Eu não sabia mais como seria os próximos segundos de minha vida.

Depois daquele surto, tive outro mais forte do que o primeiro. A sala estava cheia de amigos de minhas irmãs, eles estavam dando risada numa conversa descontraída, mal podiam imaginar que eu estava em casa. Eu parecia um fantasma, andava sempre de cabeça baixa, passos lentos e meu quarto escondia meus segredos. Do nada comecei a sentir um ódio mortal das pessoas que estavam na sala. E quanto mais riam, mais eu ficava odiosa. Pois achava que estavam zombando de mim. Eu não sei de onde eu tirei tanta coragem para tomar a decisão de matar a todos e depois me matar, minha vida não tinha mais sentido. Saí do meu quarto e fui  caminhando sem que ninguém me visse, na ponta dos pés entrei no quarto de minha mãe e peguei a arma do meu pai. Eu sabia atirar, ele tinha me ensinado antes de morrer. Era fácil, eu só tinha que apertar o gatilho, de posse da arma apareci na sala apontando para todos.

Minha irmã corajosamente partiu para cima de mim,agíl como uma leoa e rápida como um raio, derrubou-me no chão, tirando a arma de minhas mãos, sem se importar com a sua vida. Gritava por cima de mim chorando:

– Vamos me dê essa arma aqui, você não pode fazer isso.

Hoje ao descrever essa história, posso entender que realmente o fim de quem se envolve com drogas, sempre será a morte. Eu nunca pensei que algum dia na minha vida teria coragem de puxar uma arma para matar alguém, mas sob o efeito mortal das drogas, tudo é possível. Uma adolescente meiga, carinhosa e mansa pode se tornar uma homicida. Esse fato foi real em minha vida e por pouco eu não atirei.

Diante desses acontecimentos, minha familia estava apavorada. Quem tem um D.Q. (dependente químico) em casa, tem um inferno particular. Dependência química afeta todos os membros da família e aquilo que era para ser o céu, passa a ser o inferno. Mas lembrando que tudo começou com um simples relacionamento, um namorico de adolescente, uma atração por um garoto lindo, que agora me fazia percorrer caminhos jamais imagináveis.

Outro surto psicótico que me recordo, foi quando olhei para meu corpo e vi que ele estava cheio de cortes, eu sangrava muito. Peguei umas ataduras e fui enrolando em minhas pernas, braços, cotovelo, coxas, estava como uma múmia cheia de ataduras, para estancar o sangue “Ilusório” que saia dos cortes do meu corpo. Eu ficava andando de um lado para o outro, com aquela fantasia.

Pobre garota, veja o que as drogas são capazes de fazer na vida de uma adolescente que tinha tudo para viver uma vida sadia, esse é o preço que se paga quando decidimos pelas drogas.

Vou descrever  sobre o Puff. Este nome eu escolhi para o meu cãozinho, depois vi que colocaram este nome num urso, devia ter patentiado esse nome. Mas por outro lado, Puff é um nome famoso e sempre vai me lembrar do meu Puff. Dizem que o cão é o melhor amigo do homem, creio que é verdade. O Puff  foi muito amigo, quando ele veio pra minha vida eu era normal, ele desfrutou do meu carinho e atenção, rimos juntos, passeamos e vivemos um relacionamento muito saudável de cão e gente rsrsrs. Mas infelizmente, o pior aconteceu. Talvez Puff  jamais imaginasse que sua dona se envolveria com drogas e teria seu comportamento alterado. Talvez se soubesse  não teria vindo ser meu, mas penso que ele gostou muito de mim e seu amor foi incondicional.

Eu fiz questão de falar sobre ele no livro, para mostrar para vocês a lição que aprendi com meu cão. Talvez uma das lições mais preciosas de minha vida.  “Ele me amou de forma incondicional”, ou seja na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza. Ele foi solidário no momento em que eu estava surtando e ficou comigo no momento mais difícil de minha vida. Estava sempre me lambendo e abanando o rabinho, tentando me alegrar, aliás ele cuidava de mim.

Mas na minha insanidade me revoltei contra ele e decidi que o mataria afogado. Ele  inocentimente veio para o meu colo, sorridente e animado. Eu o tomei nos braços e caminhei em direção ao tanque de esgoto. Era um tanque enorme, uma piscina gigante. Ninguém por perto, me senti á vontade para matar o Puff afogado.

Eu sabia que a qualquer momento poderia morrer, mas ele tinha que ir primeiro do que eu. Na realidade tudo que eu tinha na vida era ele, ele me pertencia, eu o amava, mas achava que ele tinha que morrer, se ficasse iria sofrer sem mim. Quando o afoguei não estava com ódio, estava adiantando a morte de quem eu amava e na minha cabeça psicótica achava que ele devia morrer, seria melhor para ele e como sua dona eu tinha o poder de decidir sua morte. Apertei seu pescoço e  fui afogando-o várias vezes, deixando-o muito tempo em baixo da água. Quando imaginei que ele estava morto, soltei minhas mãos deixando seu corpo afundar e voltei para casa, aliviada por saber que Puff estava morto e logo eu também morreria e seriamos felizes no além. Realmente eu estava muito louca. Meu Deus que horror! Que situação, saber que fiz isso é muito constrangedor, eu nunca fui má. Mas  as drogas fizeram de mim uma garota psicótica, essa é a face oculta das drogas. Ela te leva a fazer coisas, com quem você mais ama na vida.

Mas Puff sobreviveu a tragédia milagrosamente. Sem que eu esperasse, depois de algumas horas entrou em meu quarto todo molhado, fedido de fezes do esgoto, abanando o rabinho e olhando para mim, como se nada tivesse acontecido. Olhei para ele paralizada e o tomei em meus braços, comecei a chorar dentro do meu quarto, apertando-o em meu peito. Com uma dor de conciência do tamanho do universo. Me sentido o própio Judas que traiu Jesus. Como eu quis que um raio caisse em cima de mim para que eu pagasse  tamanho pecado que havia feito com meu Puffinho, tão lindo e meigo. Puff naquele momento me constrangeu o coração, e me ensinou que o amor é mais forte do que a morte. Talvez por isso sobreviveu e voltou para me ensinar tal lição. O mal se paga com o bem. Eu tentei o matar, mas ele voltou  e me amou. Eu gritava no quarto, sou um monstro!!! Virei um monstro!!! Eu não presto!!! Quero morrer!!! Preciso morrer!!! Meu Deus que situação mais triste… quanta desgraça vivida em uma única vida.

Minha família estava correndo risco de vida. Não se deixa um louco dentro de casa, infelizmente eu cheguei a esse ponto… era necessário  uma intervenção.

O que você achou deste episódio? O que você tem a falar da atitude do Puff?

32 Respostas para “Psicose”

  1. Laila Maffra disse:

    Interesting!
    I apreciated!
    Hug.

  2. Gabrielle Corrêa disse:

    Oi Laila, gostei muito mesmo do seu livro !
    gostaria de saber que dia vocês estará no colégio Dom aguirre?
    beijão!

  3. Laila Maffra disse:

    Fico feeliz com sua decisão, procure mesmo os bons exemplos pra seguir..
    Abraço.

  4. Laila Maffra disse:

    Que pena né, mas ainda bem que ele sobreviveu,
    Bjuu..

  5. josue vinicius disse:

    lailla eu chorei muito por causa do puff

  6. ramon disse:

    Oi sou do auxiliadora o que te pedio o livro,voçe e uma inspiraçao para minha vida.vou ter sempre voçe como exemplo.

  7. Laila Maffra disse:

    Vamos nos encontrar ano que vem… bj

  8. Laila Maffra disse:

    Hahaha. Mas sinto muita falta do Puff!

  9. priscila disse:

    Coitado do puff, mais é isso que asdrogas trazem para a nossa vida. Temos que dize nao para as drogas por ela só trás destruiçao para a nossa vida e a cabamos fazendo loucuras com as pessoas que mais amamos a nossa vida.

  10. larissa garcia disse:

    poxa coitadinho do puff,eu estava lendo essa parte e comecei a chorar,ai a minha mae perguntou se eu estava ficando doida mais eu falei que era so a emoçao!rsrsrsrs

  11. Uriel Gama Alencar disse:

    Olá Laila,é o aluno do sesi, que você fez a palestra no clube do trabalhador que estava todo molhado tudo bem, o seu cachorro foi uma lembrança para ser guardada no seu coração. E que seu cachorro amava você. bjs até qualquer hora

  12. Uriel Gama Alencar disse:

    Olá Laila,é o aluno que tava todo molhado tudo bem, o seu cachorro foi uma lembrança para ser guardada no seu coração. E que seu cachorro amava você. bjs até qualquer hora

  13. mais a quantos anos voce comesou a usar drogas

  14. Laila Maffra disse:

    NOSSA QUE COMENTÁRIO LINDO, PROFUNDO E CHEIO DE VERDADE. pARABÉNS PELA REFLEXÃO.

  15. Gabrielly disse:

    assim aprendi que das menas pessoas que se esperam e delas que vem as grande pq vc não imaginaria q o puff voltasse mas ele veio e as pessoas q nos amam não importa oq fizermos com ela que elas sempre voltarão e farão uma carinha d puff dizendo eu estou aqui pq te amo!!! ´´CIEB´´

  16. Laila Maffra disse:

    Eu mostrei como ele tinha ficado… ele deixou umexemplo grande de amor!!

  17. lorenna rayra disse:

    oi laila olha o seu cachorro é lindo d+

  18. Laila Maffra disse:

    OI , QUE BOM QUE VC GOSTA DO MEU LIVRO. ESSA PARTE DO LIVRO É EMOCIONANTE… EU TAMBÉM AINDA CHORO QUANDO LEMBRO DA CARINHA DELE… mAS ME DIGA DE QUE ESCOLA VC É?

  19. vitoria disse:

    Laila queria dizer que minha professora mandou eu ler esse capitulo do puff eu chorei o pessoal da minha escola achava que eu era doida.Mas adoro seu livro beijos.

  20. gabriela disse:

    laila este foi um dos mais emocionantes que eu ja lir mais aprendi muitas coisas com vc,e realmente ele te amavaa como o tudo dele!!

  21. Laila Maffra disse:

    Campeão, assim como vc venceu no esporte, assim vencerás neste combate. Eu acredito em sua vitória. estou torcendo por vc… contando os dias minutos e segundos para gritar bem alto seu nome dizendo bem alto.campeão! campeão! Você [e do bem… sempre foi do bem… mas de repente foi “seduzido” pelo boto da droga. Mas o que vale é sua coragem e honestidade em admitir que precisa de ajuda para sair deste rio enganador. sua atitude em sala de aula me deixou muito orgulhosa. Eu naó estava lá para te ouvir mas receba meu aplauso. A onde quer que eu vá levo você e seu lindo sorriso no olhar. DO fundo de minha alma , receba meu abraço apertado . saiba que o Pai Invisivel está te conduzindo , para juntos escrevermos uma nova hist[ria baseada em fatos reais.

  22. Valbert disse:

    Hoje depois que li o livro droga disface inrresistivel tive a conciencia de que precisava de ajuda urgente, se não continuaria me destruindo, minha familia não aguentando mais me ver naquele estado me deu uma chance de eu me recuperar foi quando eu conheci a Laila de extrema importancia na minha reabilitação ,hoje me dando muita força.
    Agradeço minha familia também por comprender da minha doença e pelo apoio que estão me dando nesse processo de tratamento.
    Foi dificil tomar essa decisão, mas quando fui na escola para me despedir percebi que havia magoado muitas pessoas de quem tinha criado uma forte amizade pessoas do bem que eu tenho certeza que estão torcendo por mim .Na hora em que chamei a direção da escola pra ir na sala comigo dar meu depoimento foi um dos momento mais dificeis de minha vida ,era como se eu tivesse numa apresentação de trabalho para toda turma mas quem era o assunto era eu ,então pensei bem na burrada em que eu fiz,resolvi concientizar meus colegas que droga não presta, então contei que ia mudar de vida e pedi desculpas se no momento de delirio tinha machucado alguem verbalmente ou fisicamente então terminei.
    Quando todos os meu amigos aplaudiram a equipe diretiva e minha professora de Bio Percebi que alguns choravam foi muito emocionante pra mim .todos me abraçaram e me desejaram sorte.
    hoje 15 de março de 2011 estou indo pra São Paulo mudar a hitoria da minha vida. em busca de uma paz que eu não tinha quando me drogava.

  23. Valbert disse:

    Teve um vez quando tava alucinado breiguei com os meus amigos que tinham nada a ver, e quando eu me dei conta quase que eu matava eles.

  24. Laila Maffra disse:

    Olá Carol, gostei do seu comentário, realmente ele me amava muito!

  25. Carol disse:

    fiquei com muita dó do Puff tadinho, mas com certeza ele sentia um amor muito grande por você !

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