Um Belo horizonte em minha frente parte 2

Antes de me casar, trabalhei como estagiária voluntária no Desafio Jovem, cheguei a ficar sozinha na chácara com as alunas novatas que não podiam ainda sair para atividades fora da fazenda. Lá não tinha telefone e nem celular, se algo acontecesse somente Deus para nos socorrer. Mas graças a Deus no meu plantão, sempre tudo esteve em ordem.

Mas eu achava que podia fazer muito mais na área de dependencia quimica. Comecei a sentir o desejo de voltar para Manaus e fundar o primeiro centro de recuperação no estado. Porém me sentia muito jovem para tal desafio. Foi aí que numa manhã acompanhando as meninas em uma atividade em sala de aula, eu comecei a rabiscar algo que se transformou em um prédio em forma de cruz.


Nas laterais ao lado, escrevi: DESAFIO JOVEM DE MANAUS. Fui ao bosque conversar com Deus, para saber do que se tratava aquela planta. Lá mais uma vez, ouvi sua voz que dizia:

– Filha tenho uma missão para você cumprir. Faça um projeto e leve até o governador de Manaus, Gilberto Mestrinho. Fale para ele sobre a importância de construir um Desafio Jovem em Manaus, para que outros jovens tenham a mesma chance que você teve. Muitos não têm condições de sair e vir até Brasília, é nescessário a construção deste prédio para receber esses jovens que estão morrendo nas drogas.

Diante de Sua voz, eu disse:

– Sim Pai, pode contar comigo, farei tudo para cumprir está missão.

Na reunião de liderança expus o ocorrido e comuniquei minha saida do Desafio Jovem de Brasília, para ir à Manaus, fundar o DJM.

Surpreendentemente,  aos  dezessete anos,  eu  subia  a  escada  do  Palácio  Rio Negro. Cada degrau que eu subia era a fim de  cumprir  a missão que meu pai  invisível havia  pedido  pra  que  eu  a executasse em nome  das  famílias amazonenses  que choravam  por  seus  filhos,  vítimas  da sedução do disfarce irresistível das drogas.

Desta vez eu  subia os degraus não mais como uma menor infratora, mas como uma representante  da  causa  dos  adictos  que estavam  sendo  dizimados  pela  ação  da cocaína, do crack, da maconha, do ecstasy, do  cigarro,  do  álcool  e  de  outras  drogas.

Muitos,  sem  o  mínimo  de  condições financeiras  para  o  tratamento.  Dessa  vez eu  subia  os  degraus  de  cabeça erguida, acompanhada  do  Dr. Manoel Martins,  que dividia comigo o mesmo sonho e a mesma visão.  Ao  chegar  à sala  do  governador, presenciei com os meus olhos o momento em  que  ele  tirou  uma  caneta  prata  do bolso de sua camisa e assinou a construção do  projeto  D.J.M.  Emocionada,  estendi  as mãos para ele e lhe agradeci.

Sou grata pela sensibilidade do governador Gilberto Mestrinho, hoje falecido, por ter dado vida a este sonho. Quando for a Manaus visitarei seu túmulo e levarei uma flor em gratidão pelo que ele fez as famílias vítimas da dependencia quimica na cidade de Manaus. Devo ressaltar que o governo entregou o prédio mobilidado, e um carro para transporte dos alunos. Se todos os governos fizessem isso, mais famílias seriam beneficiadas com esta iniciativa.

Até o prédio ficar pronto, eu precisava agir. Fui procurada por uma vó, cujo neto era dependente quimico. Fiquei muito comovida com a situação. Conversei com o jovem, cujo nome era Raimundo. Ele corcordou com a internação em Brasília. No dia de sua viagem, ele não apreceu para o levarmos ao aeroporto, fiquei preocupada e de ônibus sozinha fui até sua casa na favela, um bairro chamado Educandos. Ao chegar lá me deparei com uma cena muito feia, Raimundo estava desmaido ao lado de sua mala, tinha sofrido uma overdose, não tinha ninguém na casa. Eu corri, me abaixei e o reanimei, graças a Deus ele reagiu. Por muito custo sentou-se no sofá  e logo se levantou meio tonto, com os olhos vermelhos e dilatados. Eu disse:

– Eu vim lhe buscar para levá-lo até minha casa, de lá vamos lhe levar ao aeroporto para o tratamento em Brasília. Vamos! Você vai conseguir andar até o ponto do ônibus.

Ele obedeceu sem falar nada. Eu peguei sua mala pesada com uma mão e com a outra o segurava, quase o arrastando. Não tinha ninguém para ajudar, fomos subindo o morro, chamando atenção dos que passavam. De repente passamos em frente a um bar chamado “INFERNINHO”, era dia, mas lá dentro estava bem escuro, uns  homens mal encarados bebendo, outros na sinuca, outros dançando, mulheres semi nuas, um local horrível. Sem que eu esperasse, seu pai saiu de dentro do bar e se dirigiu até nós, muito alterado devido a bebida e com os olhos muito vermelhos cambaleva um pouco, com uma mão segurava o copo de cerveja e com a outra o taco de sinuca. Olhou para mim e disse furioso:

– Onde você pensa que vai levar meu filho? Daqui você não passa com ele! Afirmou energico e continuou a falar bravo:
– Se você der um passo com meu filho eu te bato! E levantou a mão para me bater.

Eu senti um medo muito grande de ser agredida pelo pai do Raimundo, sendo que ele mesmo tinha concordado com a ida do Raimundo para o tratamento. Mas de repente ele estava furioso, voltando atrás com seu consentimento. Naquele momento, fiquei paralizada olhando em seus olhos, mais indefesa do que um bebê. Pensei que Raimundo fosse me defender, mas ele ficou quieto. E quando seu pai levantou seus braços para me agredir, em minha mente fiz uma oração rápida: “Pai me ajude, não permita que ele me agrida”.

Jamais vi coisa igual. Seus braços ficaram paralizados como que congelados como estátua, seus olhos arregalados me fitavam e ele gritava chamando atenção dos que estavam no bar:

– Ela é Saaaaaaaaaaaanta!!! Ela é saaaaaanta e em santa não se bate. E saiu correndo apavorado.

Eu mais do que depressa sai correndo com o Raimundo, quase o arrastando para o ponto do ônibus. Ao entrar no ônibus mais um momento de medo e vergonha. Na hora de pagar a passagem, ao passar pela  roleta, Raimundo começou a gritar surtando:

– Laila, o dinheiro que eu tenho aqui  é para comprar cocaína, eu não posso gastar meu dinheiro pagando a minha passagem!!! Você pode pagar para mim?

Envergonhada dos demais passageiros que olhavam para mim pensando que eu também estivesse drogada, dei um sorriso amarelo para desfarçar e disse:

– Tudo bem, eu pago.

Ao sentarmos no banco mais uma cena arrepilante. Raimundo apertou minhas  mãos  bem  forte, a ponto de eu sentir que iria quebrá-las, e com os olhos vidrados em mim, sob o efeito da cocaína, disse:

– Estou com vontade de matar você!!!

Em pensamentos e com muito medo, falei em minha mente com meu pai invisível , dizendo:

– “Pai, guarda a minha  vida e me protege!”

De repente, ele começou a soltar minhas mãos e com o olhar assustado e as lágrimas descendo em seu rosto, disse bem baixinho, quase sussurrando:

– Seu rosto está brilhando! Eu vejo uma luz!

No aeroporto, quando vi  seu avião decolando, senti  alívio por mais  uma missão cumprida: a de salvar vidas.


Eu não podia ficar em minha casa assistindo televisão e comendo pipoca, eu tinha saído das drogas, para ser luz e ponte, afim de ajudar aqueles que nescessitavam de ajuda. Valeu apena o sacrifício, depois de um ano Raimundo voltou recuperado.

8 Respostas para “Um Belo horizonte em minha frente parte 2”

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  2. raissa do SESI 8°ano disse:

    oi laila como vc ta??

    que eu comprei gostei muito foi um livro que me dediquei muito, mas eu pensei que naum era so eu que precisava de ajuda a conheçer mais a droga pois então quis passar isso a frente eu dei esse livro para tia e ela mesmo disse que começou a ler as 10h da noite e cada vez mais ela ficou muito curiosa para saber mais e mais e se emocionava e pedi para passar a diantee ela falou:vopu passar para o meu maridoe eu perguntei:por que? e ela me respondeu:porque o meu marido fuma e queria dar um exemplo se ele morresse quem iria sofrer é a minha filha e pra para de fumar

    então vemos que a pessoa pode reagir depois de ter conciencia do perigo!!!!! bjs

  3. Laila Maffra disse:

    Até hoje ncontinuo ouvindo. Ela é maravilhosa.

  4. Laila Maffra disse:

    Sim.
    A todo momento, podia sentir uma voz que iria além do que apenas se ouve. Porém aquilo estava dentro de mim.
    É uma experiência unica, que sem dúvidas também pode ter, se realmente desejar por isso!

    Uma grande abraço. Fique com Deus!

  5. Daniel disse:

    Eu tenho uma duvida, você escutava mesmo a vós de Deus?

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