Um Belo horizonte em minha frente parte 1

Quando pequena eu  brincava de casinha e dizia que se alguém viesse me procurar, era para dizer que eu tinha ido a Belo Horizonte. Eu havia lido sobre essa cidade, achei o nome bonito e imaginei montanhas, um lindo horizonte por trás delas. Eu queria muito conhecer essa cidade, parecia que algo de especial aconteceria lá.

Finalmente venci meu tempo de tratamento, um ano havia se passado. Eu  tinha aprendido a viver sem as drogas, agora era manter minha recuperação. Minha mãe foi me ver, foi maravilhoso poder abraçá-la depois de muito tempo sem vê-la. Eu queria poder recompensar toda tristeza e vergonha causada no tempo da minha drogadição. Minha mãe foi peça fundamental em minha recuperação.  Eu a admiro muito e sou muito grata por ter lutado por mim.

Depois de uns dias na chácara do Desafio Jovem, voltei com ela para Manaus, somente uma semana passaria em casa. Ao chegar em casa novamente, era como chegar de volta ao meu ninho. Era bom estar com minha família novamente. Mas algo estranho estava acontecendo comigo, notei que apesar de estar feliz com minha família, meu coração continuava em Brasília, eu queria voltar para a instituição. Minha vida estava lá, eu decidi que não voltaria mais para casa. Faria um curso de teatro e discipulado na Jocum (Jovens Com Uma Missão é uma Missão internacional e interdenominacional, empenhada na mobilização de jovens de todas as nações para a obra missionária.) e voltaria para ser voluntária no Desafio Jovem. Eu estava apaixonada pelo programa e me envolveria  nesta área. Todo dependente quimico recuperado é um terapeuta em potencial.

Quando terminei  o curso em B.H. voltei para Brasília, firmei meu compromisso de namoro com Arlem Maffra, autor do livro Droga Disfarçada de Estudante. Depois  de três anos de namoro eu me casei com ele com apenas 18 anos. Ele era de Belo Horizonte e morava  em um bairro chamado Amazonas, filho de classe média, se envolveu com drogas também  na escola, ele estava lá há mais tempo do que eu. Era músico e poeta, um rapaz com uma história de  dor, tanto quanto a minha.

No jantar de dez anos de fundação do Desafio Jovem, eu e mais algumas alunas recebemos nosso certificado de conclusão do programa de recuperção da instituição. Eu ganhei do Arlem uma bíblia em espanhol, minha língua predileta, nela continha uma dedicatória muito inigmática:

“Quisera eu, poder te amar e cuidar de você até o fim de minha vida. Enquanto eu puder te amar, te amarei, enquanto puder estar perto, estarei. Mas quando não puder mais te amar Ele te amará sempre. E quando não puder mais estar ao seu lado, Ele estará sempre”.

Te amo. Arlem.

Conhecer o passarinho e voar em sua companhia foi sem dúvida a melhor aventura de minha vida…


Conseguimos nos pertencer, mas não conseguimos nos unir, o pouco que conseguimos viver juntos foi tão intenso quanto à eternidade, com o passarinho aprendi fazer dos momentos amargos, doces e transformar o feio em belo. Ele me fez acreditar que a vida é bela, mesmo vivenciando a guerra dos sentimentos causados por sua ausência. A maior herança dessa paixão foram nossos filhos. Uma família nasce da semente do amor que foi conquistado… Ninguém pode roubar esse amor sublime e sagrado… Família a maior conquista de nossas vidas.

Suas canções sempre acalmavam meu coração, sua doce voz me fez sonhar… E acreditar que podemos ser feliz sim… Ainda que nosso mundo tenha desabado…

Seus textos escritos serão eternos escritos nas paredes de meu coração jamais se apagaram.

Quem foi que disse que o amor pode acabar dizia o poeta em sua canção… Hoje  no silêncio de tua ausência… Sussurro baixinho… O amor já mais acaba… O poeta tem razão!

23 Respostas para “Um Belo horizonte em minha frente parte 1”

  1. Laila Maffra disse:

    OI Maluh.

    Fiquei emocionada com seu texto.Você tem uma veia poética parabéns.

    Quero muito conhecer teu trabalho. Vamos nos conhecer melhor. entre em contato através do meu email. lailamaffra@hotmail.com.

    Um grande abraço.

  2. Maluh Yung disse:

    Querida Laila,quem foi que disse que o amor pode acabar,dizia o poeta em sua cancao…Hoje,no silencio de tua ausencia,sussurro baixinho O amor jamais acaba,o poeta tem razao!By Laila.

    Laila,dancamos ao som de uma voz sussurrada,captada pela Alma e assumida pelo coracao,somos puro amor,exploramos o concebivel mas nos perdemos diante do incognoscivel…somos aves que ainda nao sabe voar,tudo e’ aprendizagem,nao ha’ erros.Acolha com amor e gratidao a sua experiencia,que o seu trabalho,fruto de seu amor,iluminem os olhos aflitos na escuridao se si mesmos.

    Quero conhecer seu trabalho de perto,me ajude a ajudar,venha comigo,mostrarei meu trabalho com moradores de rua,eu os amo e estarei sempre por perto,disposta a socorre-los.

    Na fe’ e no amor.

    Maluh.

  3. Laila Maffra disse:

    Me perdoe Pedro!
    Estou realmente em falta com vocês,hj estou indo para Manaus com o projeto e assim que possível,colocarei a escola no site,ok?
    Que bom que gostou do livro,bjs no coração.

  4. Pedro Moraes disse:

    Olá,Laila.
    Gostei muito, mas muito mesmo do livro, principalmente das partes mais ”sentimentais”, se é que você entende.
    Fiquei um pouco aborrecido, pois no site oficial do Projeto Escola Sem Drogas, não achei o nome do Colégio Dom Aguirre. Ano passado (2010), lemos o Droga Disfarçada de Estudante e Filipe veio no colégio, e este ano lemos o Droga – Disfarce Irresistível e você veio no colégio dar uma palestra.
    Muito bom o livro.
    Beijos, Pedro Moraes.

  5. Débora disse:

    OLÁ LAILA,LI O LIVRO DROGA DISFARÇADA DE ESTUDANTE,GOSTEI!TENHO UM IRMAÕ DEPENDENTE ENVIEI UM EMAIL (lailamaffra@hotmai.com )SE VC RECEBEU OU NÁO ME ENVIE RESPOSTA ,POR FAVOR
    ATT DÉBORA

  6. Laila Maffra disse:

    Oi fico feliz por ter gostado do livro, e também por ter mudado seu comportamento.

  7. Laila Maffra disse:

    Realmente é uma vida sofrida e vergonhosa. Atré hoje carrego as marcas deste sofrimento.

  8. deisiane silva do carmo disse:

    Quando eu li este livro pude ver que eu posso fazer um futuro sem drogas ,pois pelo o que a senhora passou é uma vida muito “sofrida” ser dependente de droga.Então eu vi que o melhor é viver uma vida “careta” e morrer bem “velhinho” do que morrer “jovem” e ter uma” vida curta”.OBRIGADA!

  9. jorge disse:

    eu gostei muito do seu livro ele fez eu refletir sobre a vida e eu gostaria de compartilhar oque eu aprendi lendo o seu livro, eu aprendi que a droga é usada pelos jovens como um disfarse para os problemas.

  10. Laila Maffra disse:

    Obrigada pelo carinho… bj

  11. Rebeca disse:

    oi laila gostei que vc fez na palestra hoje 30/03 no CANAÃ amei chorei muito por causa do seu sofrimento,eu tb se estivesse na sua vida eu ia fazer a mesma coisa que vc fez quando seu pai morreu (faleceu)lamento mas todo mundo tem que morrer mas desse jeito tb não sabia eu tb não conhecia Jesus eu era assim rebelde mas hj só sou um pouco …kkkkk beijocassssssssssss da sua leitora a e parabens por ser salva das drogas

  12. andressa disse:

    ja vi esse livro , achei muuito interessante . ai esse site e da minha pastora *-*

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